Na Confraria das Sedutoras

Por Cecilia Castro em 22 de Setembro de 2008

Não importa quanto os tempos mudem, a sensualidade feminina sempre despertará curiosidade enquanto insiste em persistir na alma dos artistas. Haverá sempre uma letra de música, um poema ou um verso qualquer que tente contar ou revelar os segredos femininos. Por que lençóis se escondem?

Enquanto os curiosos de plantão se sentem contemplados, as “calcinhas” podem se sentir menos sós. Rica Amabis (Instituto), Pupillo e Dengue (Nação Zumbi) em formação do trio “3namassa”, reuniram nomes do cenário artístico contemporâneo brasileiro que são capazes de tornar esse mistério menos nebuloso.

Leandra Leal, Thalma de Freitas, Céu, Karine Carvalho, Pitty, Simone Spoladore, Nina Becker, Cyz, Alice Braga Geanine, Nina Miranda, Karina Falcão e Lurdes da Luz foram as escolhidas para a gravação de “Na Confraria das Sedutoras”, álbum que recolhe as experiências do universo íntimo feminino com a naturalidade de quando elas, de fato, acontecem.

São as letras dos sedutores Jorge du Peixe, Junio Barreto, Rodrigo Amarante, Lirinha, entre outros, que, nas vozes das meninas, encorpam sonoridades capazes de fazer curvas. Nada mais feminino, não?

É impressionante como logo na abertura do CD já é possível sentir-se convidado a explorar as sensações. É o sussurro francês de Leandra Leal na faixa “Certeza” que faz com que muitas pernas adormeçam e muitas moças se sintam bem mais à vontade.

O som do trio mais a sensualidade das mocinhas fez de “Na Confraria das Sedutoras” uma produção belíssima. Vale escutar junto, “viajar” sozinho mesmo, dar de presente. Só não vale ficar fora dessa. Rapazes e moças, sintam-se convidados!

O Feminino Contemporâneo

Por Cecilia Castro em 18 de Julho de 2008

Atenção: Esse post talvez cheire a rosas se escolhermos assim.

“Nome Próprio”, filme de Murilo Salles com Leandra Leal, estréia hoje em muitas cidades brasileiras. Em São Paulo, no Rio, em Belo Horizonte, em Belém, em Brasília, em Fortaleza, em Natal, e na maravilhosa cidadezinha do interior, Campinas! Adiantada como quase nunca, assisti, ontem, na CPFL Cultura, a pré-estréia do filme acompanhada de um bate papo com o diretor, Murilo. Foi ótimo.

Sim, o filme é mais cabeça. Sim, tem que assistir mais do que uma vez para que se contemple toda a beleza daquela película. Mas não, não é pretensioso, não é demasiadamente sofisticado ou inacessível. Fala de amor, de muita paixão, de loucura, de limites, de literatura (brilhantemente), de narrativa, de internet, de blogs e de um alter ego que representa, e muito bem, a mulher contemporânea.

O filme é para mulheres e homens. Para os homens pode servir de convite à compreensão dessa atmosfera, que não é (necessariamente) cor de rosa, que não gosta de ganhar panelas de presente, que tem (e muita) opinião, que prefere o príncipe com cabelos negligentemente penteados do que o do cavalo branco. É uma dica, eu diria, aos machos de plantão que querem estar conectados às mudanças do mundo, inclusive às referentes ao universo de seu maior interesse: o feminino.

Não quero dizer aqui que todas as mulheres do mundo têm a desmedida atitude da protagonista Camila, ou a mesma ousadia, ou a loucura na idêntica proporção. Isso seria generalizar e toda a generalização é um pouco burra. Digo, apenas, que Camila, deliciosamente vivida por Leandra Leal, é filha das mulheres que queimaram alguns sutiãs pela liberdade. Filha das que tomaram pílula, das corajosas divorciadas, das que se embrenharam pelo mercado de trabalho… Assim como muitas de nós.

Eu não queimei sutiãs, mas sou filha dessa geração que ainda ‘come o pão’ para ter um salário melhor, para não ser alvo de assédio, para não ter mais que conviver com o preconceito. “Nome Próprio” traz ao personagem de Camila uma transbordante idéia do feminino contemporâneo. Da mulher que não tem tanta vergonha do corpo, que racha a conta sem perder a delicadeza, que consegue trabalhar, estudar, cuidar de si e de quebra fazer uma macarronada bem rápida que é uma beleza!

Mais sobre o filme

Sobre a atriz Leandra, Murilo disse ser uma dádiva tê-la na equipe. Deve ser ela uma das muitas mulheres bacanas e interessantes das quais o diretor se disse ficar cercado para compor o filme. Ele também contou uma passagem engraçada com Leandra. “Certa vez encontrei Leandra e ela me disse: ‘Eu sou a Camila’. Fiquei assustado. Tinha feito o teste com mais de 200 atrizes. O teste dela foi imbatível!”. Murilo ainda falou que acredita que a atriz tenha feito isso como uma espécie de ‘rito de passagem’ da carreira. Antes, ela só havia feito ‘meninas’. Desta vez, Leandra e Camila são uma mulher!

Leandra aparece nua, bem nua, mais do que os olhos habituados com os enlatados hollywoodianos costumam agüentar. Na verdade, não é a constância da exposição que, de fato, não é freqüente, é o tipo de nudez: sutil. Uma ‘nudez de irmã’, como citou um cara da platéia – achei curiosa a observação. Por isso o filme incomoda um pouco, ora pela nudez não óbvia e não sexual, ora pelo ritmo, atípico, ora pelo pulso da personagem que enche a cara de vodka na tentativa constante de dar conta da vida e de engolir o mundo.

O filme vem da obra de Clarah Averbuck, escritora e autora do 8º blog mais visitado do mundo (o extinto Brazileira!Preta e atual Adiós Lounge). Mas é uma versão da obra, não é a obra original, como insistiu em ratificar Murilo durante a conversa. A Camila de Clara é diferente da Camila de Murilo. Ainda bem. Porque nós somos muitas, e muitas Camilas, essas do século XXI!

Bem, termino em coro com Murilo, sobre o que disseram alguns críticos de cinema muito críticos, sozinhos e mal amados: Camila é tudo menos vagabunda e louca! E ‘vamo que vamo’, sem deixar barato pra esses que não entendem nada sobre a força que existe na ternura. Esses vão preferir assistir Batman.

Obs: Batman também estréia hoje, mas definitivamente não é a melhor opção, com todo o respeito, claro.