Filosofando

Por Cecilia Castro em 02 de Setembro de 2008

Mais um post sobre Filosofia. Não, esse foi o anterior. Esse parece mais uma provocação. Ou melhor, uma incitação ao debate. Faço hoje papel de advogada do diabo e coloco “aspas” de pessoas que encontrei na internet mesmo, opinando sobre a inclusão das matérias Filosofia e Sociologia no ensino médio brasileiro. Uma lei sancionada no dia 2 de junho desse ano pelo nosso presidente e que já deu o que falar. Como “a filosofia está no ar” nessa semana, achei oportuno. Palpitem a vontade!

“(…) a Sociologia e a Filosofia são fundamentais para todos os estudantes, especialmente por se caracterizarem por estimular o senso crítico, a discussão, e a reflexão sobre as diferentes questões da sociedade” - João Nunes da Silva


“(…) Se você não se lembra, também, permita-me recordar que a experiência escolar mais comum é não conseguir sequer ouvir o que o professor está dizendo, estudar na véspera e esquecer rigorosamente tudo no exato momento em que a prova termina.” - Pedro Sette Câmara

“(…) Sem sombra de dúvidas, o retorno da Sociologia ao ensino médio é uma vitória de todos aqueles que acreditam num país melhor e que primam por uma educação crítica e de qualidade, o que não significa uma educação meramente técnica, como tem sido a tônica do ensino superior no Brasil.” - João Nunes da Silva

“(…) Agora, fazem-se necessários professores qualificados, formados em ciências sociais, com habilitação para ensinar a ambas as disciplinas nas escolas. Igualmente, vale ressaltar que não se trata de mais uma disciplina simplesmente para preencher carga horária de professor, mas sim, é preciso um profissional com a qualificação e a competência exigida.” - João Nunes da Silva

“(…) Incluir Filosofia e Sociologia no currículo só terá um único efeito: cansar um pouco mais a paciência dos alunos, ou, na maior parte dos casos, dar-lhes a oportunidade de tirar algumas notas boas fáceis, porque, enfim, você já viu uma faculdade de Filosofia que sabe quem é que vai dar aula?” - Pedro Sette Câmara

“(…) A principal experiência que ela [escola] proporciona é a sensação de um nonsense institucional: você tem que aprender coisas pelas quais não tem o menor interesse, ouvir as respostas de perguntas que não fez nem faria, ditas por alguém que quase sempre também demonstra que preferia estar na praia, e o objetivo supremo disso é passar num exame para um curso universitário que você não sabe se quer fazer. Depois as pessoas ficam ressentidas, achando que essa parte da vida delas é uma mentira, e… elas têm toda razão. É um desperdício de tempo e dinheiro.” - Pedro Sette Câmara

Filosofança

Por Cecilia Castro em 27 de Agosto de 2008

A Filosofia está na moda. Não fosse assim, não teríamos um quadro destinado a ela na “revista eletrônica” (como é chamada), no horário nobre da mais poderosa emissora nacional. Mas não é só no Fantástico que ela aparece. Sob responsabilidade de Márcia Tiburi, uma das integrantes do programa Saia Justa, do GNT, a Filosofia aparece nas mais variadas discussões do quarteto comandado por Mônica Valdvogel.

Na onda dessa popularização, Márcia Tiburi, também filósofa e professora do Mackenzie, lança o livro “Filosofia em Comum- para ler junto”. Ela esteve em Campinas, no Espaço Cultural CPFL, para conversar com o público.
“Eu mesma me convidei. Não foram eles que me chamaram”, disse ela, debochada, logo no início da fala. Márcia é bem descontraída e parece tratar dessa mesma maneira a própria Filosofia. Viu que eu estava lendo o livro antes que começasse o evento e, empolgada, veio me abraçar. E deu até um gritinho: “Ai, você já está lendo!”

Louca? Não. A idéia de Márcia foi criar um momento de encontro por meio do livro. A proposta é que o conteúdo seja lido em voz alta, como uma história contada a uma criança e a partir daí a discussão deve se desenrolar.

Segundo a filósofa, o exercício de ler em voz alta obriga o leitor a entender o texto de uma maneira diferente do que se o fizesse apenas em pensamento, como é o habitual. A leitura alta promove mais interpretação porque carrega a entonação, as pausas, o retorno a trechos não compreendidos. E tudo acompanhado por uma outra pessoa que passa pelo mesmo processo, porém no seu próprio ritmo. “Para se ler junto, deve-se respeitar o lugar do outro”, completou.

Achei tudo muito interessante. Enquanto Márcia falava, lembrava-me das histórias que ouvia quando criança e refletia a respeito de como essa prática resguarda uma capacidade humana tão em desuso hoje em dia: a audição.

Quem é que pára, verdadeiramente, para ouvir o outro?

Nessa “brincadeira séria” também está inserido o poder da voz, que como colocou Márcia, é o próprio corpo em ondas. “O nosso corpo vai parar no outro corpo”, explicou ela, tentando demonstrar a importância da voz e o fascínio que temos ao ouvir uma bela canção e uma bela voz. Para Márcia, tudo é recorrente de nossa simpatia por belas vozes. “Ninguém se casa com alguém cuja voz não se suporta”. Ela está certa.

E foi defendendo a voz, a leitura em voz alta e a nova proposta para se aprender filosofia que Márcia seguiu o papo que demorou mais do que eu previa. Sem problemas. Eu, que tive primeiros contatos bastante vagabundos com a Filosofia, achei tudo muito interessante. Me lembrei do compromisso ético que existe no ato de pensar e em não deixar que isso seja feito no seu lugar por outra pessoa ou pela publicidade. (Meus amigos publicitários que me perdoem agora!)

Infinitamente aquém de Sócrates, que em “Sei que nada sei” reconheceu o quanto ainda havia para ser aprendido, confesso que me animei com o livro e com a possibilidade de conhecer Filosofia de uma maneira mais bacana. Difícil será arranjar uma companhia para essas madrugadas, não? Quem se habilita a essa “filosofança”?