Dia Longo, Paciência curta!

Por André Torres em 31 de Outubro de 2008

Ae, tem dia que eu saio às 7 e meia da matina pra ir pra faculdade e volto só meia-noite para casa. Passo o dia estudando e realizando projetos e trabalhos pra faculdade. Às vezes me pergunto se o dia foi mesmo produtivo… Fico *&)(*) nessas horas!

Esse post é só um desabafo pros dias enormes q todo mundo tem (e eu sei q tem) e que na verdade parecem ser bem menores em outros quesitos!! Dá um tempo hein, veio! PO#%@%

Ney

Por Cecilia Castro em 15 de Julho de 2008

Freqüentemente vou a bancas de revista, mesmo que só para olhar. Adoro. Principalmente quando encontro algo que não esperava: uma edição especial, uma capa inusitada. Sou bem capaz de me endividar se a banca for realmente boa. Em livrarias então… Deixa para lá, porque hoje o assunto é revista.

Ah, as revistas! Essas fulgazes publicações que enchem as nossas mentes de idéias atuais e esvaziam nossos bolsos a cada mês, ou nos ‘piores’ casos, a cada semana. Elas têm qualquer coisa de novo, mesmo para aquele que consegue a proeza de ler dois jornais por dia (e mais um portal de noticias na internet, claro). Elas têm qualquer coisa de chique, mesmo que sem tanta pretensão: um papel couché, um tamanho fora do usual, uma capa envernizada… As revistas são objetos de coleção, costumam provocar um certo apego. Colaboram com o acúmulo de papel em casa, hehe. Um bom amante dessas belezinhas certamente já ouviu: “Mas quando é que você vai jogar isso fora?” Eu entendo, eu entendo… Xodó maior talvez só com livros, certo?

Pois bem, foi durante uma dessas minhas expedições a bancas de revista que notei um acontecimento atípico. Duas das minhas publicações preferidas com a mesma capa! A menos que uma criança tenha sido jogada pela janela pelos próprios pais ou que o chefe de Estado do país reduto do socialismo resolva abdicar… as capas das revistas dificilmente coincidem. Para quem não sabe, existe até uma função específica dentro da ‘hierarquia’ de uma redação chamada “editor de capa”. O que quer dizer que a escolha desse ou aquele assunto para a capa não é, de forma alguma, aleatória.

Fiquei surpresa ao me deparar com a BRAVO! (maio) e a Caros Amigos (junho) com as capas estampando ninguém mais ninguém menos que Ney Matogrosso, ícone da música brasileira que não aparece freqüentemente na mídia. Está certo que ele está em turnê (que começou em setembro de 2007) e que lançou, em abril desse ano, o CD Inclassificáveis. Mas ganhar a capa… ainda acho que exige um pouquinho mais.

Curiosa, comprei as duas e aproveitei para acrescentar no pacote uma Rolling Stone. Foi quando notei que a edição que eu carregava, com o Gabeira na capa, continha uma entrevista com o cantor. Estava lá, meio a um rodapé diagramado com criatividade, entre uma matéria sobre o ‘guru do google’ e a ‘igreja pornô’, haha. Mais que estabelecida a curiosidade, fui tratar de saná-la. Queria saber o porquê da coincidência. O porquê do destaque. Depois de ler as três edições, de publicações tão diferentes entre si, reconheci que mesmo que Ney de Souza Pereira não gravasse mais nada, mereceria ainda muitas capas…

Que o cara abraçou a androginia pra se revoltar contra o machismo e provocar os bons costumes dos anos 70, todo mundo sabe. Que sua iconoclastia o permitiu provar, quase sem limites, de entorpecentes a ‘todos os sexos possíveis’, também todos sabemos. Mas e os detalhes? Demorou algum tempo para que toda aquela figura se formasse. Ou todo mundo acha que Ney nasceu com purpurina e com aquela mente milaborante?

Sobre essa definição da sua figura, Ney conta que nos EUA, sem conseguir descrições melhores para o cantor, comparam-no com ‘Carmem Miranda’. Achei cômico quando li. Há uma passagem em que ele conta para Márvio dos Anjos, que o entrevistou pela Rolling Stone, um episódio com a revista VEJA (que a despojada RS fez questão de publicar, naturalmente).

“Quando a revista VEJA disse que eu era ‘es-can-da-lo-so’, com essas sílabas separadas, pensei: ‘Então eles não sabem o que é escândalo’. Porque isso eles acharam quando eu tinha feito o show ‘Um Brasileiro’ cantando Chico Buarque. Eles não sabem o que foi escândalo em 1973, um homem seminu com uma pena de um metro enfiado no alto da cabeça, se requebrando, pintado”.

Quando questionado sobre a incompreensão que continua rondando sua imagem, a resposta é visceral, como todas as outras que eu li: “Eu não ligo não. Imagina… ainda não se acostumaram?”. Ainda não se acostumaram!!! Haha!

Por uma visão menos míope, sobretudo aquela que o resume como intérprete de “O Vira”, ao qual Zuza Homem de Mello e Jairo Severiano chamaram de ‘rockinho vulgar sobre a dança portuguesa’, algumas frasesinhas do cantor, do artista, do ser humano Ney Matogrosso:

[sobre dedicação ao trabalho]
“Quando ouço a música, vejo todas as possibilidades dela…”

[sobre ser fã]
“A única pessoa que eu via e que me fazia pensar ‘ se eu fosse artista eu queria ser uma coisa assim’ era o Caetano Veloso”

[sobre a existência de uma divindade]
“Acredito num princípio organizador, amoroso antes de mais nada, sem dedo apontado para mim, porque não tenho culpa”

[sobre o Brasil]
“O problema do nosso país é a decadência generalizada galopante ladeira abaixo. As pessoas estão num grau de insatisfação, de violência e intolerância que vão começar a se comer umas às outras. Estamos decadentes sem jamais termos alcançado o apogeu. Não adianta a economia do Brasil estar maravilhosa, se não for distribuída”

[sobre hipocrisia]
“Que hipocrisia é essa que no Carnaval as … estão de fora e uma mulher não pode fazer topless na praia? Que incoerência é essa?”

[sobre celebridade x artista]
“Acho que ser uma celebridade é um pouco além do nada”

Nas entrevistas falou ainda sobre homossexualismo, drogas, relacionamento com Cazuza, sobre o pai militar, censura, boicotes da imprensa, falou sobre a vida, em sua forma mais cortante e instigante, o que tornaria esse post demasiadamente longo. Ainda mais! Por isso finalizo com um trecho de uma música que se chama, Leve, de Iara Rennó e Alice Ruiz e que, certamente, não foi escolhida à toa por Ney nesse último CD, Inclassificáveis. Um convite à ousadia:

“Viver ou morrer é o de menos/ A vida inteira pode ser qualquer momento/ Ser feliz ou não, questão de talento”

Ney revelou se consultar há séculos com um psicólogo diferente: o espelho!
Quem mais se arriscaria tanto?