Forró da Lua Cheia III

Por Cecilia Castro em 09 de Julho de 2008

Capítulo III: Os Mutantes que me perdoem, mas o Abujamra foi fundamental!

Plasticamente muito agradável aos olhos, trouxe uma tela de projeção que compunha o cenário simples do terceto – mais Du Moreira e Marcelo Effori. As companhias virtuais que apareciam nas projeções eram de Alzira Espíndola, Fernanda Takai, Mirim Maria e Antônio Abujamra, cantando ou recitando poemas, como é o caso de Antônio, “Abujamra pai”, de quem eu, comicamente, tinha medo quando criança! (Me lembrei disso durante o show, haha). A música Os Senhores do Tempo, diz: “…os homens! Essa experiência que não deu certo! - jogando um balde de água fria na cara da humanidade!

A família certamente é a essência na vida de Abujamra. Os filhos também mostram suas carinhas no telão, como se estivessem ao lado do pai enquanto trabalha, ou como se fizessem parte de todo aquele processo criativo. Uma música que para mim comprova essa idéia é Curriculum, do CD antigo de Abujamra (O infinito de pé). Nela, faz referência direta ao amor que tem pela família e consegue fazer isso de uma maneira tão engraçada que, na primeira vez que ouvi, parei o que estava fazendo para simplesmente gar-ga-lhar!

Vestindo um terno azul turquesa e turbante vermelho, Abujamra convidou a platéia do Forró para que o acompanhasse em algumas músicas, ora com vocalizações, ora com palmas. Como se fosse natural (nós, simples mortais!) acompanhar os hai-kais musicados do cantor. Ou deveria dizer as poesias concretas?

Em apenas uma apresentação Abujamra ensinou geografia (Pangea), gritou “viva à diferença”, cantou e contou que “não se mede dor”, que “menor é melhor”, que “alma não tem cor” e resumiu tudo dizendo que “tudo o que vale é o amor”.

As palavras simples escondem a complexidade das idéias, sobrepostas, invertidas ou dispersas, minuciosamente escolhidas para compor este ou aquele verso. Tenho a impressão que cada palavra tinha que estar no lugar em que está e que não há sinônimos quando se trata de Abujamra. O cara é para ouvir, para sentir, para ler, reler, tentar entender…

Ou não!

“Eu posso definir o infinito sem entendê-lo. Quando eu não entendo o que defino, eu me aproximo do que chamam ‘poesia’ e então, a poesia se revela muito mais próxima da vida do que parece”

(Antônio Abujamra em Palmeira do Deserto, música do CD Infinito de Pé)