Saudade verde e amarela

Por Juliana Biscalquin em 16 de Julho de 2008

Esse post praticamente não é meu. Essa idéia não é minha, apenas compartilho porque acho que vale a pena conviver com visões diferentes sobre o mundo e sobre as coisas. Um amigo querido, desses que repartem filosofia, numa conversa de bar, me contou algumas considerações suas sobre o povo brasileiro. Eu achei aquilo tudo de uma sensibilidade tão grande que resolvi escrever…

Um problema essencial do Brasil é a saudade. O brasileiro é um povo que sente saudade. E sente desde muito tempo. Saudade do que talvez nem se saiba, saudade do que nunca existiu. Difícil de entender, né? Bem, vou tentar explicar o que aprendi nessa conversa.

Branco é brasileiro, negro é brasileiro, índio é brasileiro. As nossas influências japonesas, árabes e até a italiana são muito recentes quando comparadas ao nascimento desse Brasil baronil. Portanto, pode-se dizer que, na sua essência, o Brasil é formado por portugueses, negros e índios.

Os portugueses que saíram das terras de Cabral, ‘ora pois’, chegaram à terra brasilis não para formar colônia, mas para explorá-la. Trabalho árduo, sujo, arriscado… Perfeito para descomungados e criminosos. Dos padres jesuítas prefiro nem comentar…

Já, o negro chegou ao Brasil, olha só, nas melhores condições. Depois de uma média de três meses em um navio negreiro, com o ‘ar condicionado’ do mau cheiro da urina e das fezes, a mercê dos maus tratos, das doenças e da falta de comida, chegaram ao país tupiniquim para serem escravizados, vendidos, mau tratados, mortos!

Os indígenas. Esses, então. Tiveram a casa invadida por todos eles. Cruelmente violentados, cultural e fisicamente.

Todos eles com muitas saudades. Os portugueses, de casa. Os negros, de casa. Os índios, da casa sem intrusos.

De todas as explicações sobre a formação do povo brasileiro, das que a gente encontra em livros de História até as explicações mais singelas dos tempos da escola, nunca havia escutado definição mais bonita.

Mais 500 anos pra gente, quem sabe a gente aprende.
E um abraço, claro, a todos os gigantes pela própria natureza.

 

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