Capítulo II: O sábado de lua
A lua cheia certamente era uma das personagens principais, mas a música, ah! Essa sim era a protagonista. Valia a música dos passarinhos, valia a música do pessoal batendo as panelas do almoço, valia até o balbuciar melodiado quase indecifrável da colega forrozeira na fila do banho. (In-cri-vel-men-te minúscula em se tratando de banheiro feminino e de um acampamento) A música, por fim, era a grande atração e feita da melhor maneira: ao vivo!
Até a gastronomia do lugar entrou no clima. Eu já tinha visto “macarrão feito na hora”, mas nunca “macarrão ao vivo”.
Antes da queima dos fogos, sempre mágicos, dancei ciranda. Nada que deixaria Lia de Itamaracá com inveja, mas tudo para que começasse o meu sábado de lua com o pé direito. Ou melhor, com o pé direito na base e com o esquerdo na marcação da zabumba do Cataia, grupo lá dos lados da Ilha do Cardoso, litoral sul paulista, que antecipou a abertura oficial do Forró. Eles misturam forró tradicional a cirandas e a outros ritmos brasileiros mandingados pelo djembê e dununs. Agora, ouvir os caras tão de pertinho é bem melhor do que de dentro do carro, parada no trânsito, esperando o próximo sinal verde!
“Ô cirandeiro, ô cirandeiro, ó
A pedra do seu anel brilha
Mais do que o sol”
