Forró da Lua Cheia I

Por Cecilia Castro em 02 de Julho de 2008

Capítulo I: A sexta de lua

O inverno começou às 20h59 naquela sexta-feira de previsões chuvosas. Altinópolis, cidade do interior paulista de 16.425 habitantes, teve sua densidade demográfica alterada pelos cerca de 1.700 visitantes do famoso Forró da Lua Cheia. O tal evento já alcançava a maioridade (18ª edição) e eu ainda não havia conseguido prestigiá-lo. Pois foi dessa vez!

O antigo “Chorinho da Lua Minguante” (como foi apelidado pela primeira vez) começara na quinta-feira para alguns, mas para mim, sexta era o grande dia. A noite começou com Cordel do Fogo Encantado, o famoso quinteto pernambucano da cena independente nacional. Mais uma vez, a trupe de Lirinha esbanjou cenografias mirabolantes, ora de impacto, ora de um certo deleite. Como se tentassem fazer com que o público acompanhasse a “viagem”. Sempre que vejo um show do Cordel, tenho essa impressão. Talvez um dia fique um pouco mais próxima de entender o que diabos é aquela força lírica marcada pelo som rítmico e melódico daqueles tambores de culto-africano que eu fico louca para experimentar!

Mas, não apenas “os poetas de cordel” lideraram a inventividade daquela noite. Leões de Israel foram, para mim, um dos mais performáticos do Forró. O grupo de reggae que segue os ensinamentos do antigo povo hebreu trouxe uma irreverência nada retrógrada ao “povo de Altinópolis, discípulos da Lua Cheia”.

Bicho de Pé terminou a noite, a minha pelo menos, convidando todo mundo a “xotear” bem mansinho, como pede a tradição do xote bem dançado: olhos fechados e rosto colado!

E que viesse o sábado!

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