Filosofança

Por Juliana Biscalquin em 27 de Agosto de 2008

A Filosofia está na moda. Não fosse assim, não teríamos um quadro destinado a ela na “revista eletrônica” (como é chamada), no horário nobre da mais poderosa emissora nacional. Mas não é só no Fantástico que ela aparece. Sob responsabilidade de Márcia Tiburi, uma das integrantes do programa Saia Justa, do GNT, a Filosofia aparece nas mais variadas discussões do quarteto comandado por Mônica Valdvogel.

Na onda dessa popularização, Márcia Tiburi, também filósofa e professora do Mackenzie, lança o livro “Filosofia em Comum- para ler junto”. Ela esteve em Campinas, no Espaço Cultural CPFL, para conversar com o público.
“Eu mesma me convidei. Não foram eles que me chamaram”, disse ela, debochada, logo no início da fala. Márcia é bem descontraída e parece tratar dessa mesma maneira a própria Filosofia. Viu que eu estava lendo o livro antes que começasse o evento e, empolgada, veio me abraçar. E deu até um gritinho: “Ai, você já está lendo!”

Louca? Não. A idéia de Márcia foi criar um momento de encontro por meio do livro. A proposta é que o conteúdo seja lido em voz alta, como uma história contada a uma criança e a partir daí a discussão deve se desenrolar.

Segundo a filósofa, o exercício de ler em voz alta obriga o leitor a entender o texto de uma maneira diferente do que se o fizesse apenas em pensamento, como é o habitual. A leitura alta promove mais interpretação porque carrega a entonação, as pausas, o retorno a trechos não compreendidos. E tudo acompanhado por uma outra pessoa que passa pelo mesmo processo, porém no seu próprio ritmo. “Para se ler junto, deve-se respeitar o lugar do outro”, completou.

Achei tudo muito interessante. Enquanto Márcia falava, lembrava-me das histórias que ouvia quando criança e refletia a respeito de como essa prática resguarda uma capacidade humana tão em desuso hoje em dia: a audição.

Quem é que pára, verdadeiramente, para ouvir o outro?

Nessa “brincadeira séria” também está inserido o poder da voz, que como colocou Márcia, é o próprio corpo em ondas. “O nosso corpo vai parar no outro corpo”, explicou ela, tentando demonstrar a importância da voz e o fascínio que temos ao ouvir uma bela canção e uma bela voz. Para Márcia, tudo é recorrente de nossa simpatia por belas vozes. “Ninguém se casa com alguém cuja voz não se suporta”. Ela está certa.

E foi defendendo a voz, a leitura em voz alta e a nova proposta para se aprender filosofia que Márcia seguiu o papo que demorou mais do que eu previa. Sem problemas. Eu, que tive primeiros contatos bastante vagabundos com a Filosofia, achei tudo muito interessante. Me lembrei do compromisso ético que existe no ato de pensar e em não deixar que isso seja feito no seu lugar por outra pessoa ou pela publicidade. (Meus amigos publicitários que me perdoem agora!)

Infinitamente aquém de Sócrates, que em “Sei que nada sei” reconheceu o quanto ainda havia para ser aprendido, confesso que me animei com o livro e com a possibilidade de conhecer Filosofia de uma maneira mais bacana. Difícil será arranjar uma companhia para essas madrugadas, não? Quem se habilita a essa “filosofança”?

Comentários (1)

  1. Por bloglivreexpressao » Blog Archive » Um dia típico de Ideologia em 01 de Setembro de 2008

    [...] Aproveitando o gancho da Ju, que postou sobre filosofia! [...]

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