
Caymmi nasceu na Bahia. Sorte a nossa! Talvez não tivesse a tranqüilidade e a simpatia como marca principal de sua figura.
“Meu filho, eu sou um bocejo.” (Caymmi ao filho)
Caymmi cantou a Bahia. Sorte a nossa! Talvez não cantasse baianas tão belas como no sucesso “O que é que a baiana tem”, imortalizado na voz de Carmem Miranda.
“Preciso de um sonho, de uma coisa misteriosa na cabeça, de um impulso interior. Daí nasce uma canção. (Caymmi)
Caymmi não estudou música. Sorte a nossa! Talvez não tivéssemos tamanha irreverência e simplicidade em versos.
“Fui impedido de estudar música por pessoas como Villa Lobos. Diziam que eu ia ser enquadrado em um sistema musical e perder a espontaneidade.” (Caymmi)
Caymmi amava o mar, a praia, a Bahia, as mulheres… Sorte a nossa! Talvez não tivéssemos “O mar”, “É doce morrer no mar”, “São Salvador”, “Você já foi a Bahia”, “Das rosas” ou “Marina”.
“O que eu mais queria era entender o mistério da mulher, de onde vem essa luz, essa determinação que brilha nos olhos das mulheres, como a luzinha do radium que Madame Curie buscava sem cessar no meio de uma montanha de minerais.” (Caymmi)
Caymmi nasceu em 30 de abril de 1914 e morreu no dia 16 de agosto desse ano. Azar nosso e do Brasil! Não chorei, confesso. Preferi ouvir algumas de suas obras de que mais gosto. Foram poucas composições em 60 anos de carreira - aproximadamente 100 - mas o número de versões gravadas por outros artistas é incalculável. A Vizinha do lado, gravada por Roberta Sá em seu CD Braseiro, é um exemplo recente de que eu gosto muito.
O verdadeiro artesanato musical a que o artista se dedicava nas suas composições fez com que as palavras escolhidas e os sons que elas propagam tenham uma vida própria, soem espontâneas, numa aparente simplicidade. Mas ao contrário, acho tudo uma tremenda sofisticação.
“Não componho no violão. O instrumento nunca é essencial para a criação. Em geral é a palavra a articulação do canto. Faço uma melodia de memória e a seguro de memória.” (Caymmi)
Àquele que não se rendeu ao rigor do tempo e cantou, como poucos, as belezas desse país, uma homenagem.
Onde quer que esteja, que ainda tenha seus mares e suas meninas e uma grande saudade da Bahia, pra continuar a compor…