Dercy

Por Cecilia Castro em 24 de Julho de 2008

“Palavrão é a miséria”, dizia ela, quando contestada a respeito dos inúmeros palavrões que insistiam em sair da sua boca, sempre rubra. Dercy Gonçalves morreu, aos 101 anos, no último sábado, 19. Entre tantas homenagens feitas a ela, muito mais importantes que esta, eu não quis ficar de fora.

Como bem escreveu Ruy Castro em crônica chamada “Sábia Dercy”, de seu livro Ungáua, quando Dolores Gonçalves Costa - nome verdadeiro de Dercy - nasceu, o presidente da República era Rodrigues Alves. “Ela passou por 24 presidentes, três golpes de Estado, duas longas ditaduras, um suicídio, uma vacância por morte e um impeachment”. Estranho contabilizar presidentes. Mais ainda somar guerras! “Dercy nasceu muito antes da Primeira Guerra (1914-18), da Revolução Russa (1917) e da Gripe Espanhola (1918)”, lembrou Ruy. Quando tudo isso aconteceu, ela já tinha idade para ler a respeito nos jornais.

Das diversas feridas que teve na vida, de amor, de sexo, de solidão, até os paetês e purpurinas da “perua”mais jeitosa do país, Dercy sempre se esforçou para colocar a arte em primeiro plano. Mesmo que por vezes de forma absurda e contraditória. A rainha da comédia tem trechos muitos dramáticos em sua história: Dercy revela que já se vendeu por dinheiro e que tentou interromper, a socos, a gravidez da única filha que viria ter, para não atuar barriguda.

Diante de tantos erros honestamente admitidos, a artista, em seus depoimentos (nos quais fui recolher informações), nunca deixou de aliar as falhas à possibilidade de consertar, de rever, de se reinventar. “Errei sim. Muito. Mas tive tempo de consertar”, disse ela no documentário exibido pela TV Cultura em virtude de sua morte. É desse arquivo a maioria das frases que separei para este post. As colocações da brasileiríssima Dercy servem de ânimo, de antídoto para o ócio, para a estupidez e acima de tudo, para a apatia que se vive hoje. Seguem, então:

“Na rua faço questão de ser exemplo de vida, mesmo que chegue em casa e desabe” – Dercy com 100 anos

“Não tenho nada contra a morte, não tenho nada contra a vida. Portanto, penso que nenhuma delas tenha nada contra mim” – Por Dercy, segundo Homero Kosacc, ex-namorado

“Deus me ajudou tanto, me protegeu tanto. Deus foi mais que meu pai, foi meu amante apaixonado” – sobre Deus!

“Eu sou o que sou, não posso ser o que eles querem” – Dercy sobre seu temperamento

“Cortar tudo o que não presta”- Dercy sobre vaidade feminina e plástica

“A única coisa que eles têm são os artistas” – sobre o povo brasileiro, desamparado em muitos sentidos, na opinião dela

“Dirigir Dercy é como alterar o curso do Rio Amazonas” – Marcos Caruso

“Ganhei dinheiro com palavrão pra caramba. Não tenho medo de falar, porque tenho certeza de que não é palavrão. Palavrão, meu filho, é condomínio, palavrão é fome, palavrão é a maldade que estão fazendo com um colírio custando 40 mil réis, palavrão é não ter cama nos hospitais” – sobre palavrão

“Falta energia para levantar, para urinar, eu não arroto, pó. Se eu titubear, não levanto de manhã. Não posso baixar a guarda” – sobre ter 100 anos, na época

“Eu sou fã de mim” – ela, por ela, para ela, e sem querer para o Brasil

Brazucas dominam a F-1

Por Fellipe Granzotto em 23 de Julho de 2008

Fala ae galeraaa!

Sou vidrado em corridas e isso todo mundo sabe. E é claro que eu não posso deixar de comentar a ida de dois brasileiros ao pódio de uma corrida de Fórmula 1. Não é todo dia que um país (qualquer que seja ele, rico, pobre, desenvolvido ou sub) coloca dois representantes entre os melhores do mundo.

Para quem não sabe, não viu e não entendeu nada do que eu falei até agora, aí vai um resumo rápido: no último domingo, Nelsinho Piquet chegou na segunda posição e Felipe Massa terminou em terceiro no GP da Alemanha. A vitória, com sobras - diga-se de passagem - foi de Lewis Hamilton, que praticamente passeou no circuito de Hockenheim, palco da corrida. Fórmula 1 não é fácil. Difícil de chegar, ainda mais complicado se manter. Trata-se da elite do esporte a motor. Felizmente o Brasil tem estado sempre presente e com pilotos de ponta.

Muitos podem até não gostar de Rubinho Barrichello, Felipe Massa e companhia, massss, uma coisa temos que admitir: poucos países, ou quase nenhum, tem a tradição que o Brasil tem quando o assunto é automobilismo. Algo iniciado pelos irmãos Fittipaldi, lá na década de 60 e que resultou em nada menos do que oito títulos mundiais (dois com Emerson Fittipaldi, três com Nelson Piquet e outros três com Ayrton Senna).

Bommm, falei disso tudo só para destacar o pódio dos brazucas. Show de bola mesmo! É claro que por enquanto, Nelsinho sabe que não tem condições de lutar por vitórias, pelo menos neste ano, e Barrichello também já admitiu não ter carro para ficar sonhando com pódios freqüentes. As fichas recaem sobre Massinha, que tem tudo para lutar pelo título até o fim. Vamos torcer pessoal. E já sabe né Massa?! Aceleeeera rapaz!

Um abraçãooo a todos

O Príncipe e o Mago

Por André Torres em 23 de Julho de 2008

Era uma vez um jovem príncipe, que acreditava em tudo, exceto em três coisas. Não acreditava em princesas, não acreditava em ilhas, não acreditava em Deus. Seu pai, o rei, disse-lhe que tais coisas não existiam. Como não havia princesas ou ilhas nos domínios de seu pai, e nenhum sinal de Deus, o príncipe acreditou no pai.

Um dia, porém, o príncipe fugiu do palácio e dirigiu-se ao país vizinho. Lá, para seu espanto, viu ilhas por toda a costa, e nessas ilhas viu criaturas estranhas e perturbadoras, às quais não se atreveu a dar nome. Quando estava à procura de um barco, um homem vestido de noite aproximou-se dele junto da praia.

- Estas ilhas são de verdade? - perguntou o jovem príncipe.
- Claro que são ilhas verdadeiras - disse o homem vestido de noite.
- E aquelas estranhas e perturbadoras criaturas?
- São todas autênticas e genuínas princesas.
- Então, Deus também deve existir! - bradou o príncipe.
- Eu sou Deus - replicou o homem vestido de noite, com uma reverência.

 O jovem príncipe retornou a casa tão depressa quanto pôde.
- Então, estais de volta - disse o pai, o rei.
- Vi ilhas, vi princesas, vi Deus - disse o príncipe num tom reprovador.
O rei não se abalou.
- Não existem ilhas de verdade, nem princesas de verdade, nem um Deus de verdade.
- Eu os vi!
- Diga-me como é que Deus estava vestido.
- Deus estava todo vestido de noite.
- As mangas da sua túnica estavam arregaçadas?
O príncipe lembrou-se que estavam. O rei sorriu.
- Isso é o uniforme de um mago. Você foi enganado.

Com isto, o príncipe retornou ao país vizinho e foi para a mesma praia, onde mais uma vez encontrou o homem todo vestido de noite.
- Meu pai, o rei, contou-me quem és - disse o príncipe indignado. - Tu me enganaste da última vez, mas não o farás novamente. Agora sei que estas não são ilhas de verdade, nem aquelas criaturas são princesas de verdade, porque tu és um mago.
O homem da praia sorriu.
- És tu que estás enganado, meu rapaz. No reino do teu pai existem muitas ilhas e muitas princesas. Mas tu estás sob o encanto do teu pai, logo não podes vê-las.

O príncipe, cabisbaixo, voltou para casa. Quando viu o pai, fitou-o nos olhos.
- Pai, é verdade que tu não és um rei de verdade, mas apenas um mago?
O rei sorriu e arregaçou as mangas.
- Sim, meu filho, sou apenas um mago.
- Então o homem da paia era Deus.
- O homem da outra praia era outro mago.
- Tenho de saber a verdade, a verdade além da magia.
- Não há verdade além da magia - disse o rei.

O príncipe ficou profundamente triste.
- Eu me matarei - disse, finalmente.
O rei, pela magia, fez aparecer a morte. A morte ficou junto à porta e acenou para o príncipe. O príncipe estremeceu. Lembrou-se das ilhas belas mas irreais e das princesas belas mas irreais.
- Muito bem - disse ele -, eu agüento com isto.
- Vê - meu filho -, tu também, agora começas a ser um mago.

The Magus, © John Fowles, Jonathan Cape, 1977

Segunda animada!! ^^

Por Raphael Schoneborn em 21 de Julho de 2008

Veja algumas dicas de como encarar a tão temida Segunda-Feira!

Segunda-feira é sempre um dia difícil para o brasileirO! Talvez só não mais difícil q o próprio domingO, quando no final da tarde já bate aquele sentimento de segundas-feiras…

Mas nada pior do q a famosa música do Fantástico!!! Ahhh não mesmo!! A musiquinha q há tempos é causadora de grande trauma em muitas pessoas vem sempre anunciando o término do merecido descanso do fim de semana, dando adeus à boa vida e trazendo a dura rotina de toda semana!! Eita segunda feira Tensa essa heIn! =S

NÃO IMPORTA!! Seja para trabalho, estudo e até Lazer!! Segunda é Segunda!! Até se vc consegue dar um fuga dos afazeres pra se divertir vai ter q fazer isso de outra maneira, sem ser nos bares e baladas. As mulheres, especialmente, sofrem com esse fatídico dia: cabeleireiro?! Manicure?! Fofoquinha no salão!? Sem chance!!! Td fechadO! =/

Será a segunda tão ruim assim a ponto dO comércio a odiar!? Hahauihaiuhaiuhaiuha! Brincadeiraaaa!!! Não sejamos tão dramáticos assim… Existe outros motivos para estarem fechados e são somente alguns lugares =]

Mas aí vai algumas dicas para vc quebrar essa angústia, preguiça, moleza e encarar o “dia D”!! Sorria! Sorrir faz bem!! E pode pelo menos aliviar bastante a angústia de começar o dia!!! xD

Aqui está uma pequena contribuição minha para vc começar o dia com o pé direitO!! :D Duvido q pelo menos um deles não faça vc rir!! O q mais curti foi o último!! E vC?!

Fight for Kisses

 

 

Baby with Kungfu Face

 

 

Bebês rindo

 

 

Bebê rindo

 

 

Falei q ia rir!! =]
No mínimo, sorriu, com certeza!! Sendo segunda ou sexta, com as risadas mais puras e contagiantes, não tem com não sorrir!! ^^
Mas se fosse sexta provavelmente ia ser mais engraçado… admitO! =P

Agora Boa sorte com seu dia!! E por favor, aí vai uma dica q na verdade é mais um pedido… quer mesmo começar bem a segunda?! Então sem reuniões e nem provas hoje, ok?! De segunda ninguém merece!! Huahauhauauhua
A toDos Um Grande AbraçO! ;)

PS: Se tiverem uns vídeos legais, mandem pra mim Ok?!
Adoro dar risadas! ^^

O Feminino Contemporâneo

Por Cecilia Castro em 18 de Julho de 2008

Atenção: Esse post talvez cheire a rosas se escolhermos assim.

“Nome Próprio”, filme de Murilo Salles com Leandra Leal, estréia hoje em muitas cidades brasileiras. Em São Paulo, no Rio, em Belo Horizonte, em Belém, em Brasília, em Fortaleza, em Natal, e na maravilhosa cidadezinha do interior, Campinas! Adiantada como quase nunca, assisti, ontem, na CPFL Cultura, a pré-estréia do filme acompanhada de um bate papo com o diretor, Murilo. Foi ótimo.

Sim, o filme é mais cabeça. Sim, tem que assistir mais do que uma vez para que se contemple toda a beleza daquela película. Mas não, não é pretensioso, não é demasiadamente sofisticado ou inacessível. Fala de amor, de muita paixão, de loucura, de limites, de literatura (brilhantemente), de narrativa, de internet, de blogs e de um alter ego que representa, e muito bem, a mulher contemporânea.

O filme é para mulheres e homens. Para os homens pode servir de convite à compreensão dessa atmosfera, que não é (necessariamente) cor de rosa, que não gosta de ganhar panelas de presente, que tem (e muita) opinião, que prefere o príncipe com cabelos negligentemente penteados do que o do cavalo branco. É uma dica, eu diria, aos machos de plantão que querem estar conectados às mudanças do mundo, inclusive às referentes ao universo de seu maior interesse: o feminino.

Não quero dizer aqui que todas as mulheres do mundo têm a desmedida atitude da protagonista Camila, ou a mesma ousadia, ou a loucura na idêntica proporção. Isso seria generalizar e toda a generalização é um pouco burra. Digo, apenas, que Camila, deliciosamente vivida por Leandra Leal, é filha das mulheres que queimaram alguns sutiãs pela liberdade. Filha das que tomaram pílula, das corajosas divorciadas, das que se embrenharam pelo mercado de trabalho… Assim como muitas de nós.

Eu não queimei sutiãs, mas sou filha dessa geração que ainda ‘come o pão’ para ter um salário melhor, para não ser alvo de assédio, para não ter mais que conviver com o preconceito. “Nome Próprio” traz ao personagem de Camila uma transbordante idéia do feminino contemporâneo. Da mulher que não tem tanta vergonha do corpo, que racha a conta sem perder a delicadeza, que consegue trabalhar, estudar, cuidar de si e de quebra fazer uma macarronada bem rápida que é uma beleza!

Mais sobre o filme

Sobre a atriz Leandra, Murilo disse ser uma dádiva tê-la na equipe. Deve ser ela uma das muitas mulheres bacanas e interessantes das quais o diretor se disse ficar cercado para compor o filme. Ele também contou uma passagem engraçada com Leandra. “Certa vez encontrei Leandra e ela me disse: ‘Eu sou a Camila’. Fiquei assustado. Tinha feito o teste com mais de 200 atrizes. O teste dela foi imbatível!”. Murilo ainda falou que acredita que a atriz tenha feito isso como uma espécie de ‘rito de passagem’ da carreira. Antes, ela só havia feito ‘meninas’. Desta vez, Leandra e Camila são uma mulher!

Leandra aparece nua, bem nua, mais do que os olhos habituados com os enlatados hollywoodianos costumam agüentar. Na verdade, não é a constância da exposição que, de fato, não é freqüente, é o tipo de nudez: sutil. Uma ‘nudez de irmã’, como citou um cara da platéia – achei curiosa a observação. Por isso o filme incomoda um pouco, ora pela nudez não óbvia e não sexual, ora pelo ritmo, atípico, ora pelo pulso da personagem que enche a cara de vodka na tentativa constante de dar conta da vida e de engolir o mundo.

O filme vem da obra de Clarah Averbuck, escritora e autora do 8º blog mais visitado do mundo (o extinto Brazileira!Preta e atual Adiós Lounge). Mas é uma versão da obra, não é a obra original, como insistiu em ratificar Murilo durante a conversa. A Camila de Clara é diferente da Camila de Murilo. Ainda bem. Porque nós somos muitas, e muitas Camilas, essas do século XXI!

Bem, termino em coro com Murilo, sobre o que disseram alguns críticos de cinema muito críticos, sozinhos e mal amados: Camila é tudo menos vagabunda e louca! E ‘vamo que vamo’, sem deixar barato pra esses que não entendem nada sobre a força que existe na ternura. Esses vão preferir assistir Batman.

Obs: Batman também estréia hoje, mas definitivamente não é a melhor opção, com todo o respeito, claro.